quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Descoberta inexplicável em Marte deixa os astrónomos perplexos


Os investigadores da Universidade de Durham (Reino Unido) descobriram grandes reservas de gelo no equador do Planeta Vermelho após terem analisado as imagens recebidas pelo satélite Mars Odyssey.

Esta descoberta revela que anteriormente Marte girava praticamente "deitado" de lado, segundo um artigo da revista científica Icarus.

Jack T. Wilson, um dos autores do estudo, admite que os cientistas sabiam da presença de vestígios de água "recentes" nas latitudes temperadas de Marte. No entanto, o facto do gelo se encontrar precisamente no equador do planeta — a área mais quente — foi especialmente surpreendente.

Além disso, segundo os dados que a ciência dispõe actualmente, não devia ter havido gelo no equador do planeta pelo menos durante nos últimos 3 biliões de anos.

Wilson comentou que, levando em consideração esta última descoberta, Marte provavelmente girou com um eixo de inclinação de 45 graus. De outra maneira, as reservas de gelo teriam sido incapazes de se formar.

fonte: Sputnik News

Colisão iminente: astrónomos detectam explosão de super nova chocando com estrela


Astrofísicos conseguiram observar pela primeira vez como uma onda de choque, originada pela explosão de uma super nova, colide com outra estrela localizada perto do astro morto, de acordo com um artigo publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

As chamadas super novas tipo Ia se formam a partir de anãs brancas — antigas estrelas "queimadas" sem fontes de energia próprias, que explodem por causa da fusão de anãs brancas.

Ao invés de outros tipos de super novas, como resultado desta explosão pelo menos uma estrela desaparece completamente e é substituída por uma nuvem quente e brilhante de plasma incandescente e vários metais pesados. Esta nuvem continuará brilhando por milhares de anos antes de esfriar e se apagar definitivamente.

Griffin Hosseinzadeh, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e seus colegas descobriram o primeiro caso fidedigno de que a onda de choque, originada por tais super novas, colide não apenas com sua própria matéria, mas também com a estrela vizinha quando observaram a super nova SN 2017cbv. Ela explodiu em março deste ano na galáxia NGC 5643, na constelação de Lupus, a uma distância de cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra.

"Há muito tempo que tentávamos encontrar esse show espacial — uma colisão de erupções de uma super nova com a estrela vizinha, cujas consequências foram previstas ainda em 2010. Os sinais de tais cataclismos já existiam antes, mas agora temos provas irrefutáveis que isso acontece realmente", disse Griffin Hosseinzadeh.

Como mostram as observações, após a colisão com a onda de choque, a estrela vizinha não ficou destruída, mas a temperatura da sua matéria e do espaço em redor subiu tanto que estes começaram a irradiar muitíssima radiação ultravioleta. Nada disso acontece após a colisão de pares de anãs brancas.

Os cientistas esperam entender, com as próximas observações de super novas nas primeiras horas depois da colisão, o que ocorre com a estrela restante e como muda sua aparência e propriedades físicas após a parceira ter morrido. 

fonte: Sputnik News

Ovniólogo sobre aparecimento de extraterrestres: em breve, todos segredos serão revelados


A cada dia surgem mais frequentemente notícias que não estamos sozinhos no Universo. Até aparecem rumores que a NASA poderá anunciar oficialmente que os extraterrestres existem.

A Sputnik Sérvia falou com Valery Uvarov, ovniólogo russo, para saber, se estas teorias são reais.

"Isto é bastante real, levando em consideração que a quantidade de factores que indicam para a presença de forças muito poderosas e desconhecidas no Sistema Solar. Estes factores são tão numerosos que agora já não se pode controlá-los", afirma o ovniólogo.

Por isso, continuou Uvarov, surge a necessidade de declarar os extraterrestres como uma realidade e isto seria um passo normal, lógico e razoável por parte da NASA.

Falando da forma de vida alienígena, o ovniólogo afirmou que não importa a aparência, todos eles têm um factor em comum – uma forma de vida humanoide. Estes seres comunicam entre si usando um idioma único que não conhece barreiras. De acordo com Uvarov, trata-se da telepatia, uma aptidão que os terráqueos perderam há 13.670 anos em resultado da queda do planetoide dos Açores.


Data da queda do planetoide dos Açores e da deslocação do eixo da Terra

Este planetoide fez a Terra perder sua órbita, cujo ciclo completo era de 360 dias. Actualmente este ciclo demora 365 dias. Esta mudança, mesmo de apenas cinco dias, provocou a intermitência no sistema de comunicação criado pelos nossos antepassados.

O ovniólogo russo frisou que os terráqueos estão mais ligados às civilizações alienígenas mais vizinhas do que com as que vivem a uma distância mais afastada.

Os extraterrestres que, de vez em quando, são detectados na Terra, de acordo com Uvarov, podem ser divididos em dois grupos: um grupo é composto por representantes de várias galáxias, que usam nosso planeta apenas para comunicações e não têm muito interesse na Terra, pois eles já examinaram tudo por aqui. A relação com os seres humanos pode ser denominada assim: indiferença.

Outro grupo, por sua vez, são nossos vizinhos e estão muito interessados em tudo o que está acontecendo. Este interesse pode ter consequências imprevisíveis para os terráqueos, mas há que destacar que são estes vizinhos que defendem nosso planeta de meteoritos e asteroides, foram eles que defenderam do impacto do meteorito de Tunguska, em 30 de junho de 1908, e do meteorito de Cheliabinsk que caiu há quatro anos.

No entanto, destaca o ovniólogo, este interesse pode ser explicado pelo simples desejo de autodefesa, pois se algum corpo celeste mais uma vez alterar a órbita da Terra, estes nossos vizinhos serão afectados também. A segurança da Terra é um assunto vital para eles.

"Há um planeta no nosso Sistema Solar onde habitam os que, antes dos acontecimentos catastróficos, habitavam em Marte e em Faeton [Nibiru] e depois se mudaram para o planeta que fica por trás do Sol. Este planeta é mencionado nos textos antigos e este planeta é conhecido entre os astrónomos, eles documentaram sua aparição durante 70 anos desde a primeira metade do século XVII, no assim chamado período do mínimo de Maunder", disse Uvarov.


Gráfico indicando o mínimo de Maunder

Este planeta, continuou o ovniólogo, caso a Terra seja afectada, também corre o risco de perder sua órbita.


Localização do planeta que fica por trás do Sol

"Actualmente, o Sistema Solar entrou numa fase da alta instabilidade. Logo, este planeta invisível para a maioria dos habitantes da Terra vai aparecer e todos os segredos serão esclarecidos", explicou Uvarov.

A actividade extraterrestre mais elevada foi detectada na região da Sibéria, onde, de acordo com os ovniólogos, está instalada a base que protege o nosso planeta dos asteróides e meteoritos. Segundo Uvarov, esta instalação funciona de modo autónomo e dispara contra possíveis ameaças provenientes do espaço. Segundo declara Uvarov, ele dispõe de filmagens únicas.

"Um material incrível. O que mais surpreende é o nível de actividade. A instalação dispara por vezes durante horas sem parar. É uma indicação directa da ameaça de meteoritos…", afirmou o ovniólogo.

Segundo ele, este sistema intensifica-se quando surgem hostilidades e conflitos no nosso planeta. Por exemplo, o conflito na Jugoslávia ou a guerra na Síria.

"A instalação tem sua própria fonte energética que está em vários lugares do planeta. Quando acontece um conflito regional, onde morrem pessoas e há muita energia negativa, a instalação de algum modo desperta e provoca uma deflagração de agressividade descontrolada", explicou o ovniólogo à Sputnik Servia.

Na realidade, os contactos de extraterrestes com humanos são frequentes, mas eles têm influência sobre o decurso da história da humanidade e a interferência acontece regularmente.

"De facto, em todo o período histórico que começou há 15.000 anos, eles têm participado de modo invisível e eficaz em tudo o que acontece na Terra. Os factos da sua participação habitualmente não são tão óbvios e as pessoas não costumam discuti-los", diz Uvarov.

O que hoje aparece na mídia e que tem algo a ver com extraterrestres, no entanto, não tem tanta importância para a civilização humana. O mais importante fica na sombra, considera o ovniólogo russo, expressando o desejo de que tudo mude e as pessoas comecem prestando mais atenção ao que está acontecendo.

Localização do planeta que fica por trás do Sol

fonte: Sputnik News

Os mamíferos atiraram-se ao ar há 160 milhões de anos e… começaram a planar


Reconstituição do Maiopatagium numa floresta jurássica APRIL I. NEANDER/UNIVERSIDADE DE CHICAGO

Fósseis descobertos na China mostram que os mamíferos primitivos do Jurássico já planavam. Afinal, os primórdios desta classe de animais não eram apenas pequenos devoradores de insectos.

O reinado dos mamíferos só começou a sério com o declínio dos dinossauros. Mesmo assim, dinossauros e mamíferos foram contemporâneos durante muito tempo. Fósseis de duas espécies novas de mamíferos, descobertos na China, permitem-nos agora revisitar esses tempos menos conhecidos da história natural da Terra.

Já eram mamíferos planadores e o facto de terem 160 milhões de anos significa que os mamíferos começaram a voar cerca de 100 milhões de anos mais cedo do que se pensava. Só mais tarde surgiram outros mamíferos planadores como os morcegos, com um voo impulsionado como o das aves actuais.

Eis a nova vanguarda da “força área” dos mamíferos: duas espécies peludas, parecidas com os actuais esquilos, e que os investigadores da Universidade de Chicago (EUA) e do Museu de História Natural de Pequim (China) dizem pertencer a uma linhagem extinta de mamíferos primitivos que ainda punha ovos.

O facto de estes fósseis do período Jurássico (entre há 200 e 145 milhões de anos) estarem completos e bem conservados permitiu que Zhe-Xi Luo, Qing-Jin Meng e os seus colegas de investigação pudessem estudar ao pormenor as membranas que estes animais usavam para voar.

Os mamíferos apareceram pela primeira vez há aproximadamente 210 milhões de anos. Quanto ao Maiopatagium furculiferum e ao Vilevolodon diplomylos – os nomes científicos dos novos mamíferos primitivos –, eles já planavam de árvore em árvore nas densas florestas chinesas há 160 milhões de anos. Os fósseis do primeiro foram encontrados na província de Liaoning (Sudeste da China) e os do segundo estavam apenas a cerca de 65 quilómetros de distância, já na província de Hebei.

Tesouros paleontológicos

Estes achados paleontológicos permitem-nos saber que os mamíferos começaram a adoptar relativamente cedo uma série de formas corporais e estilos de vida – como as de castores nadadores, trepadores de árvores, escavadores ou pequenos carnívoros que se alimentavam de crias de dinossauros – que se julgavam mais tardios.

“Apesar de viverem em ecossistemas dominados por dinossauros, os primeiros mamíferos diversificaram-se em muitos nichos ecológicos”, disse, num comunicado, o paleontólogo Zhe-Xi Luo, da Universidade de Chicago (EUA), que coordenou esta investigação com dois artigos publicados na revista Nature.

Ainda que o voo planado possa ter trazido vantagens ao Maiopatagium e ao Vilevolodon na recolha de alimentos e na defesa face a possíveis predadores, estas espécies não estão relacionadas com os actuais quatro grupos de mamíferos capazes de planar: os esquilos voadores da América do Norte e na Ásia; os esquilos de cauda escamosa de África; os petauros-do-açúcar da Austrália e os colugos do Sudeste Asiático.

Analisando os ossos das patas traseiras e dianteiras, os paleontólogos chegaram à conclusão de que estas espécies usavam os quatro membros para se pendurarem nas árvores, como fazem os actuais colugos e morcegos. E, embora o Maiopatagium, com cerca de 23 centímetros de comprimento da cabeça à cauda, fosse maior do que o Vilevolodon, ambos tinham dimensões parecidas com as dos actuais esquilos voadores. “As membranas para planarem estavam presas aos quatro membros, provavelmente nos pulsos e tornozelos, ou perto deles”, explica outro paleontólogo da equipa, David Grossnickle, também da Universidade de Chicago.


Foto Reconstituição do Maiopatagium a planar APRIL I. NEANDER/UNIVERSIDADE DE CHICAGO

Já a dentição do Maiopatagium assemelhava-se à dos morcegos-das-frutas, enquanto a da outra espécie se aproximava mais da dos esquilos. Os seus dentes deram pistas aos cientistas relativamente à alimentação destes seres vivos pré-históricos: o primeiro comia as partes macias de plantas e o segundo tinha sempre sementes no seu menu.

Portugal também guarda tesouros paleontológicos de mamíferos, com 150 milhões de anos. Ainda que fossem muito pequenos e não planassem, a sua descoberta por cientistas alemães nos anos 60, nas minas da Guimarota, perto de Leiria, trouxe à ciência o primeiro esqueleto de um mamífero do Jurássico. Este verdadeiro tesouro paleontológico – o único esqueleto quase completo de um Henkelotherium guimarotae – cabe na palma na mão. Em 2007, Thomas Martin foi o investigador que veio, de propósito da Alemanha, devolver ao Museu Geológico de Lisboa este e outros exemplares portugueses.

Do outro lado da fronteira, também surgiram novidades relativas ao mundo dos mamíferos primitivos em 2015, com a descoberta do Spinolestes xenarthrosus. Mas ao contrário dos mamíferos encontrados em Portugal, nos seus fósseis também ficaram preservados pêlos, espinhos e até as infecções na pele.

A surpresa continua a ser uma constante na (re)descoberta do passado dos antepassados dos mamíferos e, como diz Zhe-Xi Luo, “as bases fundamentais da diversificação bem-sucedida dos mamíferos parecem ter sido inscritas há muito tempo”.

fonte: Público

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Os buracos negros como "fontes de vida" no universo

Resultado de imagem para buracos negros


Há dois anos foram captadas as primeiras ondas gravitacionais emitidas por buracos negros. Grupo do Técnico testa limites da teoria de Einstein

Há alguns meses, Vítor Cardoso, físico e coordenador do grupo de gravitação do Instituto Superior Técnico, tinha acabado de dar uma palestra numa escola do Porto quando uma aluna veio ter com ele. A estudante contou-lhe que tinha sido surda toda a sua vida mas, pouco tempo antes, fizera um implante que lhe dera acesso a toda uma dimensão que antes lhe estava vedada. "Primeiro foi a confusão, o som muito alto, o cérebro a tentar lidar com aquelas informações que lhe chegavam. Mas depois deu por si a surpreender-se ao perceber que conseguia entender o que as pessoas lhe diziam."

Naquele momento, professor e aluna perceberam que ela era a versão, em carne e osso, de uma analogia que ele e muitos outros físicos usavam para explicar a importância da primeira deteção de ondas gravitacionais, em setembro de 2015, por um equipamento que vinha a ser desenvolvido há duas décadas nos Estados Unidos.

Antes dessa primeira deteção, nomeadamente a partir de 2005, recorrendo a supercomputadores, já tinha sido possível começar a resolver e demonstrar as complexas equações de Albert Einstein, a demonstrar matematicamente que o que o cientista alemão dizia sobre os buracos negros, sobre a gravidade, sobre a relação de forças que molda o universo batia certo.

Tal como a aluna surda sabia que o som existia, mesmo nunca tendo ouvido, os cientistas também estavam convictos de que as ondas gravitacionais existiam, apesar de nunca as terem antes captado. De resto, explica Vítor Cardoso, só esse trabalho prévio, esses cálculos realizados por supercomputadores que chegavam a levar "meses" a resolver as equações possibilitaram o acontecimento de 2015. "Só conseguimos encontrar uma coisa se soubermos muito bem como a procurar." Mas a partir daquele momento, mais do que uma validação das teorias, dos cálculos, abriu-se toda uma nova janela para o universo. "Esta deteção significa que nós agora temos, por assim dizer, um novo olho, que vai conseguir olhar lá para fora e ver buracos negros como os olhos normais não conseguem ver. Ou seja: testar as coisas que nós estamos a estudar em teoria."

Varinhas mágicas da matéria

Na cultura popular, os buracos negros são muitas vezes imaginados como assustadoras forças de destruição, capazes de devorar toda a matéria que os rodeia. Mas esta descrição, defende o físico, é francamente injusta. "Um buraco negro é muito mais uma fonte de vida do que uma fonte de morte", assegura. E cair num buraco negro "é muito mais difícil do que cair na Terra".

Nos últimos 20 anos, além de chegarem à "grande certeza de que os buracos negros existem", os cientistas descobriram que estes são forças vitais capazes de moldar o universo. "Praticamente todo o universo que nós conhecemos, as estrelas, o Sol, nós próprios são mais ou menos produto do facto de esses buracos negros existirem", descreve. "Isto é, o buraco negro, sabemos agora, é um bocado como a varinha da cozinha, é uma força que mexe a matéria no universo e que faz as coisas acontecerem." Se estes não existissem, garante, "o universo seria um sítio muito mais aborrecido".

Porque é que as ondas gravitacionais são importantes para a sua compreensão? Porque são um testemunho, com milhões de anos, das dinâmicas envolvidas nesse processo de transformação.

"A Terra não cai no Sol porque não perde muita energia. Mais cedo ou mais tarde, o Sol é que vai cair na Terra, mas essa é outra história. Mas quando os objetos são buracos negros, ou algo de semelhante, que se deslocam a velocidades muito grandes e estão muito próximos um do outro, eles começam a emitir ondas gravitacionais."

As ondas correspondem à perda de energia que, inevitavelmente, conduz ao choque entre esses objetos. A sua análise permite reconstituir os acontecimentos, mas também descrever o ambiente onde estas forças evoluem, porque a dimensão da perda de energia está diretamente relacionada com a presença de matéria escura. "A observação de ondas gravitacionais permite perceber como é que a matéria escura está distribuída no universo. Em particular, já nos permitiu excluir alguns tipos de matéria escura."

Menos de dois anos após a deteção destas ondas, cientistas de todo o mundo já fizeram descobertas que fizeram evoluir radicalmente o conhecimento sobre este tema. "Já sabemos que existem os buracos negros, sabemos calcular a massa deles, sabemos onde é que eles estão com uma precisão razoável, como já começámos até a fazer coisas que eu diria que eram extraordinárias há cinco anos, que é usar estes acontecimentos para dizer algo mais acerca do que existe no universo."

É também este o trabalho do grupo do Centro Multidisciplinar de Astrofísica liderado por Vítor Cardoso. No último ano, além de confirmarem que a informação obtida das ondas gravitacionais é compatível com a existência dos buracos negros, verificaram também que esta "não exclui muitos outros objetos", previstos por teorias alternativas às de Einstein.

Testar os limites das teorias do cientista alemão é precisamente o trabalho que têm agora em mãos, contando com um apoio - no valor de 1,5 milhões de euros - do Centro Europeu de Investigação.

Astrofísico reconhecido a nível mundial

De cabelo comprido apanhado atrás das costas e T-shirt e um discurso descontraído, em que recorre com frequência a exemplos mundanos para facilitar a compreensão de temas altamente complexos, Vítor Cardoso, 42 anos, é em muitos aspetos a antítese do formalismo que o cidadão comum esperaria encontrar num investigador e académico com o seu estatuto. Parece aquele professor de Matemática que todos gostaríamos de ter tido na adolescência. Mas é, na realidade, um dos astrofísicos mais bem-sucedidos que Portugal já deu à ciência. Professor do Instituto Superior Técnico, lidera o grupo de gravitação do Centro Multidisciplinar de Astrofísica (CENTRA), no Departamento de Física desta instituição. Tem um livro e mais de 1550 artigos científicos publicados sobre ondas gravitacionais e buracos negros. Além de sucessivas bolsas do European Research Council - o financiador europeu da elite dos investigadores do continente -, o trabalho de Vítor Cardoso foi distinguido recentemente pelo Presidente da República, que lhe atribuiu a medalha da Ordem de Sant"Iago da Espada.

Equipa é uma verdadeira sociedade das nações

O grupo de gravitação do CENTRA combina cientistas de várias origens e competências, assemelhando--se a uma pequena sociedade das nações. Laura Bernard, investigadora francesa, tem como principal tarefa estudar o movimento de corpos sob a ação de ondas gravitacionais. O investigador japonês Masashi Kimura dedica-se a estudar teorias alternativas da gravidade. George Pappas, grego, estuda estrelas de neutrões. E David Hilditch, britânico, estuda a resolução das equações de Einstein em computadores. Essa é também a tarefa do português Miguel Zilhão. A equipa inclui ainda os técnicos Sérgio Almeida e Miguel Torrinha, cuja função é garantir o funcionamento de outro membro inestimável do grupo: o supercomputador Baltasar Sete Sóis, cujo nome é inspirado na personagem principal de Memorial do Convento, de José Saramago, que se caracterizava por apenas ver à luz. Lorenzo Annuli, Miguel Ferreira, Jorge Lopes, Kyriakos Destounis e Rodrigo Vicente são alunos de doutoramento que estudam como a matéria escura se comporta em redor de buracos negros.


Genoma do porco modificado para eliminar vírus

Espera-se que os porcos sejam um dia uma fonte de órgãos para transplantes

Espera-se que os porcos sejam um dia uma fonte de órgãos para transplantes OLEG POV/REUTERS

Nova técnica de edição genética usada para alterar ADN dos animais, tornando-os livres de uma família de vírus. Objectivo é que um dia os órgãos destes animais sejam usados para transplantes em seres humanos.

Cientistas usaram uma técnica de edição genética para eliminar vírus em porcos vivos, um passo considerado importante para o transplante de órgãos de suínos compatíveis em humanos, segundo um estudo publicado na edição desta semana da revista Science.

Ao utilizar a técnica CRISPR/Cas9, uma equipa internacional de investigadores editou o ADN do porco para desactivar genes de uma família de retrovírus – a dos retrovírus endógenos porcinos, que podem ser transmitidos de células de suínos para células humanas quando cultivadas juntas, refere um comunicado de imprensa sobre a investigação.

O facto de células humanas infectadas transmitirem o vírus do porco a células saudáveis levou os cientistas a pensarem na necessidade de eliminar os retrovírus caso o transplante de um órgão ou tecido de porco seja feito em pessoas.

Os retrovírus, como os endógenos porcinos e o vírus da sida (VIH), têm no seu genoma apenas moléculas de ARN, e não ADN, como acontece com o vírus da hepatite B por exemplo. Tanto o ADN (ácido desoxirribonucleico) como o ARN (ácido ribonucleico), que se encontram nas células, são responsáveis pela transmissão de características hereditárias.

No estudo, investigadores da China e dos Estados Unidos mapearam e caracterizaram os retrovírus endógenos porcinos presentes no genoma de células de fibroblastos de porco. O grupo conseguiu fazer crescer células de porco viáveis sem os retrovírus, ao adicionar fazer uma série de correcções no ADN.

Quando os cientistas implantaram em porcas embriões “limpos” dos genes dos retrovírus, descobriram que as crias que nasceram não apresentavam sinais de retrovírus, tendo algumas delas sobrevivido até quatro meses após o nascimento.

fonte: Público

Alesi, um antepassado de todos nós e dos símios actuais

Crânio da espécie de símio <i>Nyanzapithecus alesi</i>





Um crânio quase completo de um símio encontrado no Quénia é uma nova peça na árvore da evolução. Só pelos seus dentes, pode saber-se muito sobre esta nova espécie (e sobre os nossos antepassados). Os cientistas dizem que é mais uma confirmação da origem africana dos símios actuais e dos humanos.

Desvendar a linhagem dos símios é uma das missões do antropólogo queniano Isaiah Nengo. Como tal, em Setembro de 2014 partiu em expedição até aos Montes Napedet, nas margens do Lago Turkana (no Norte do Quénia), com um grupo de habitantes locais. Tinha o objectivo de encontrar fósseis do período Mioceno (entre há 23 e cinco milhões de anos), uma vez que escavações nos anos 90 indicavam que poderiam haver fósseis nesse sítio. Passaram vários dias e nada de relevante era encontrado. Até que algo inesperado aconteceu: John Ekusi, um dos companheiros de expedição, descobriu o que lhe parecia um crânio de um animal. De imediato, chamou Isaiah Nengo. “Puxei o topo do crânio e vi o contorno dos olhos. Percebi logo que era de um primata muito bem preservado”, conta-nos o antropólogo. “Ficámos tão entusiasmados que começámos a dançar e a saltar.”

A euforia não terminou aqui. Ao ser estudado, percebeu-se que o crânio muito completo era de um símio juvenil e que tinha 13 milhões de anos. Mais do que isso, também veio a saber-se que era de uma nova espécie de símio, a que a equipa deu o nome científico Nyanzapithecus alesi. Agora, já só o tratam por Alesi. Este crânio revela-nos como terá sido o aspecto de um dos antepassados comuns tanto dos humanos (incluindo a nossa espécie Homo sapiens) como dos símios actuais.

“Foi uma surpresa muito agradável. É muito difícil encontrarmos um fóssil de um símio [muito antigo]”, considera Isaiah Nengo, agora no Instituto da Bacia do Turkana e o principal autor de um artigo publicado esta quinta-feira na revista Nature, que tem a participação de Fred Spoor, da University College de Londres (Reino Unido).

A nossa espécie faz parte da família dos hominídeos, que inclui também os gibões e os grandes símios (os chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos). Sabe-se que o nosso último antepassado comum com os chimpanzés – antes da separação entre o ramo evolutivo que levou à nossa espécie e o ramo que levou àqueles grandes símios – terá vivido em África há cerca de sete milhões de anos. Contudo, não sabemos muito sobre a evolução dos nossos antepassados há mais de dez milhões de anos e este crânio pode agora dar pistas sobre isso.


Foto O antropólogo Isaiah Nengo acaba de tirar o crânio do Alesi de um bloco de arenito. Ao lado, estão os colegas de expedição Akai Ekes e John Ekusi (que descobriu o crânio)expedição ISAIAH NENGO

Em África, não tinha sido encontrado até ao momento qualquer crânio completo de um hominídeo com esta idade. Apenas se descobriram dentes e mandíbulas. “É o primeiro crânio de um hominídeo africano quase completo recuperado entre há 17 milhões e sete milhões de anos e, tanto quanto sabemos, é o crânio mais completo de um símio do Mioceno até agora descrito”, lê-se no artigo científico. 

Vejamos então as pistas que este crânio nos dá. É do tamanho de um limão e como é muito pequeno parece um gibão bebé. “No início, isto deu-nos a impressão de que era um gibão já extinto”, disse Christopher Gilbert, professor no Hunter College de Nova Iorque e um dos autores do trabalho, num comunicado da Fundação Leakey, que apoiou esta investigação.

A identidade do Alesi acabou por ser revelada graças à sua dentição. Porque as raízes dos seus dentes estavam muito bem preservadas, como refere o artigo. Foram então obtidas imagens a três dimensões do crânio do Alesi no Laboratório Europeu de Radiações Sincrotrão (ESRF), uma poderosa máquina de raios X em Grenoble (França), que permite estudar os materiais em pormenor.
Mais lento do que um gibão

Primeiro, percebeu-se que se tratava de um símio (que, ao contrário dos macacos, não tinha cauda). “Os molares de um macaco são muito diferentes dos símios”, refere Isaiah Nengo. Além disso, o Alesi tinha canais auditivos já muito desenvolvidos, algo que partilha com os símios actuais e que não se encontra nos primatas mais primitivos. Depois, viu-se também que a forma dos seus molares era muito semelhante à de outras espécies de símios do género Nyanzapithecus. Contudo, os dentes eram maiores, o que sugere que o Alesi era de uma espécie maior do que as outras do seu género. É então uma nova espécie chamada Nyanzapithecus alesi. O nome alesi foi proposto por John Ekusi; afinal tinha sido ele quem descobrira o fóssil. “Ales” significa “antepassado” numa língua local da região do Lago Turkana.


Foto O crânio do Alesi durante as análises no sincrotrão de Grenoble PAUL TAFFOREAU

O sincrotrão de Grenoble ainda deu mais pistas sobre a vida deste símio. Tudo indica que, na altura da sua morte, tinha cerca de 16 meses. Foi possível sabê-lo através das linhas de crescimento diárias preservadas nos seus dentes. Tal como os anéis das árvores, as linhas dos dentes podem revelar a idade do fóssil. Através das imagens de raios X, foi possível contar as linhas desde a fase pré-natal, que coincide com o momento do nascimento, até à morte. Foi assim que se soube que tinha cerca de 485 dias. “Em muitos aspectos, os dentes do Nyanzapithecus alesi são desenvolvidos como os dos gibões modernos, a morfologia é que é um pouco diferente”, explica-nos Paul Tafforeau, paleontólogo do ESRF e responsável por esta análise.

Contudo, não foi possível perceber se era uma fêmea ou um macho. Nos símios apenas se conseguem diferenciar certas características no crânio depois de uma certa idade e este exemplar era demasiado novo para isso.

Também através das imagens do crânio a três dimensões foi possível perceber como o Alesi se movimentava. Embora não fosse um primata de movimentos lentos, não era tão rápido e ágil como os gibões, que andam de ramo em ramo pelas árvores com muita facilidade. “O Nyanzapithecus era mais como os chimpanzés ou como outros símios, que, apesar de serem capazes de se deslocarem de forma complexa e rápida pelas árvores, não o fazem como os gibões”, considera o paleontólogo.

Os seus movimentos foram desvendados através da estrutura do seu ouvido interno. Além de captar som, o ouvido interno também percepciona como se move a cabeça. “As imagens detalhadas de raios X revelaram que o Alesi tinha um órgão de equilíbrio (os canais semicirculares) associado a movimentos lentos, em vez da oscilação acrobática dos braços dos gibões”, refere o comunicado da Fundação Leakey.

As cinzas protegeram-no 

E como terá morrido o Alesi? “Não sabemos exactamente”, responde Isaiah Nengo. “Sabemos que no local onde o Alesi foi encontrado houve erupções vulcânicas porque estava coberto de cinzas.” Supõe-se então que tivesse ficado enterrado ao cair nas cinzas. Pensa-se que o local onde estava foi, em tempos, uma floresta, pois foram descobertos troncos soterrados ali. O fóssil só ficou muito bem preservado graças às cinzas, destaca ainda Isaiah Nengo.

Este crânio vem então preencher um lugar na árvore da evolução que, milhões de anos depois, também veio dar a nós. A equipa concluiu que o Alesi fazia parte de um grupo de primatas que existia em África até há cerca de dez milhões de anos. Os cientistas ainda propõem que o grupo de que o Alesi faz parte pode ter aparecido no final do período Oligoceno (entre há cerca de 34 milhões e 23 milhões de anos) e existiu até ao final do Mioceno. E que a última espécie sobrevivente desta linhagem pode ter sido o Oreopithecus bamboli: encontrada na Eurásia, tem entre sete a nove milhões de anos e é considerada um parente próximo dos símios modernos.


Foto Alesi depois de descoberto ISAIAH NENGO E CHRISTOPHER KIARIE

“Embora o Oreopithecus seja considerado um parente próximo dos símios modernos, devido aos seus braços comprido, à pélvis larga, coluna vertebral curta e outras características presentes nos símios modernos que se baloiçam nas árvores, ainda tem membros inferiores que existem apenas nos antepassados dos humanos que andavam de pé”, salienta Brenda Benefit, antropóloga na Universidade Estadual do Novo México (Estados Unidos) num comentário sobre o artigo na Nature. A antropóloga salienta que a origem africana dos Oreopithecus já tinha sido proposta através de um dente de uma outra espécie e que agora este crânio vem reforçar essa hipótese. Mesmo assim, Brenda Benefit refere que são necessários mais estudos sobre este crânio e mais fósseis para estabelecer esta ligação.

Tendo tudo isto em conta, Isaiah Nengo considera que o Alesi é uma nova peça que confirma a origem africana dos humanos e dos símios actuais. Mais estudos esperam o Alesi: que segredos ainda esconderá o seu crânio do tamanho de um limão?

fonte: Público

domingo, 13 de agosto de 2017

Caçadores de OVNIs filmaram esfera luminosa sobrevoando montanha no Canadá

OVNIs

Uma esfera misteriosa “amarelada e esbranquiçada” vagando pelo céu noturno foi filmada por caçadores de OVNIs no Canadá, mais precisamente sobre a montanha Stawamus Chief.

Os caçadores Rob Freeman e Marcus McNabb filmaram o objeto voador não identificado até seu desaparecimento.

Rob Freeman disse que a esfera é verde no vídeo por causa do sistema de visão noturna, usado por eles durante a filmagem.

Os entusiastas ressaltaram ao jornal britânico Daily Star seu êxito em filmar este objeto misterioso, que apareceu na área por volta das 22h59 no horário local.


"Pensamos primeiramente que era um avião. Não fazia barulho algum… Então percebemos que não era um avião de jeito nenhum", disse um deles.

"As árvores atrás da esfera foram iluminadas. Ou seja, o objeto estava voando em frente às árvores."

Um deles publicou este vídeo no YouTube no dia 23 de julho; até agora, já foi visualizado por mais de 43 mil pessoas. Rob Freeman e Marcus McNabb são caçadores de OVNIs “profissionais”. A lista de caça por objetos misteriosos é recheada de países: no total, 30 cidades de 11 países foram visitadas por eles nos últimos 3 anos.

fonte: Sputnik News